Com eleições fraudulentas e com apenas 31% da população votando, a Venezuela volta às garras de Maduro

15/12/2020

O sonho de liberdade acabou de vez para o povo venezuelano que não conseguiu fugir do país a tempo. As recentes eleições fraudulentas em que apenas 31% dos cidadãos votaram e supervisionadas nada menos que por observadores da Rússia e até da Coreia do Norte, deu os três poderes da república ao ditador Maduro.

Até 2013 ninguém jamais poderia imaginar que a Venezuela chegasse a uma crise tão grande, a maior já sofrida por um país sul-americano. As prateleiras dos supermercados e lojas eram cheias de produtos de todas as partes do mundo, já que o país não produzia nada além de petróleo. Muitas pessoas iam fazer compras nos Estados Unidos e o nível de vida era um dos melhores do continente.

Entretanto com a crise do petróleo, veio junto a crise política. A morte de Chávez e a eleição de Maduro foi o início do caos. Os produtos começaram a escassear e já no ano seguinte se formavam filas enormes de pessoas em busca de qualquer produto. As pessoas chegavam até a dormir nas ruas para conseguir um bom lugar na fila.

De lá para cá, a coisa não parou mais. Começaram as fugas em massa em direção ao Brasil como porta de esperança para uma nova vida. Até crianças desacompanhadas chegavam em bandos fugindo da crise.

Tudo se deteriorou no país. Transportes públicos um caos total, com espera de uma hora por um ônibus caindo aos pedaços ou tomar um táxi improvisado igualmente sem condições de uso. Água, eletricidade, saneamento não ficam de fora. A vida se tornou numa luta diária pela sobrevivência. Inflação em patamares alarmantes chegando a 3000% e a falta total de alimentos provocavam as improvisações mais macabras, como a caça de animais nas ruas para sobrevivência. Em meio a tudo isso, as ideias de esquerda de maduro, que se tornou num ditador.

A partir de 2015, ainda havia um fio de esperança, pois a oposição ao ditador controlava a Assembleia Nacional, que tinha como presidente Juan Guaidó que em fevereiro de 2019 se autoproclamou presidente do país e recebeu apoio de 50 países incluindo o Brasil e União Europeia.

Apesar de Guaidó receber o apoio internacional, não contava com o apoio das forças armadas do país, todas atreladas ao ditador. Grande parte dos políticos, mais interessados em dinheiro que no país, também não favoreceram o governo de Guaidó. Com isso, Maduro, que vivia praticamente escondido e tinha sua cabeça à prêmio por tráfico de drogas pelos Estados Unidos, reaparece triunfante nas eleições.

Mesmo durante o governo de Guaidó, milhares de pessoas fugiram do país pois temiam a volta do ditador. Os que não conseguiram fugir, estão agora numa das piores situações que se possa imaginar na América do Sul. Sem empregos e os aposentados recebendo o equivalente a R$ 7, 00 por mês, só quem vive bem por lá são os militares e políticos atrelados ao ditador.

A Venezuela agora está isolada do resto do continente. Seus aliados são os de sempre Rússia, China, Turquia e Irã. O Brasil fala duro com seu representante e nem a Argentina, também de esquerda, quer saber do ditador.

Os Estados Unidos ainda não invadiram a Venezuela simplesmente porque não estão disposto a enfrentar um conflito direto com a Rússia e com a China.

A curto prazo não há mais nenhuma esperança para a Venezuela. Quem fugiu para o Brasil ou para a Colômbia teve sorte. Para quem não conseguiu só resta enfrentar o que é um governo de esquerda com todas suas consequências.

No Brasil é surpreendente, que apesar dessa amostragem de miséria sem igual ocorridas no país vizinho, ainda há por aqui uma esquerda sonhadora com os ideais comunistas. Artistas, estudantes e professores universitários, e gente que vive muito bem e que não tem a menor noção do que é viver num país como a Venezuela ou mesmo como na Argentina, "a nova Venezuela".

Seria bom que essas pessoas que tanto defendem a esquerda, primeiro fossem morar num desses países e conhecer suas misérias diárias com a falta de tudo e de oportunidades. Certamente não teriam a mesma opinião depois disso. (Leonardo Bezerra)