Presépio do Vaticano é motivo de crítica em todo o mundo

O Vaticano, que não vinha sendo bem visto nos últimos anos por muitas controvérsias, fechou o ano com chave de ouro no que se refere ao desagrado aos cristãos e principalmente católicos do mundo inteiro ao expor um presépio futurista fugindo da tradição, que é uma das bases da igreja.

O presépio, composto por estátuas de cerâmica, apresenta uma analogia com o personagem "Darth Vader", da saga Star Wars.

São 19 estátuas de cerâmica feitas por professores e ex-alunos de um instituto de arte de Abruzzo. Foram confeccionadas entre 1960 e 1970. A figura do astronauta foi adicionada à coleção em 1969 para comemorar o pouso do homem na Lua.

Tudo isso não teria nenhuma importância se expostos como arte ou curiosidade em qualquer outro local. Mas o fato de serem expostas como presépio oficial do Vaticano, é que torna a coisa polêmica e no mínimo sem muito sentido.

Como se sabe, a Igreja Católica é guardiã das tradições, mesmo porque um de seus pilares é justamente a tradição. O cristianismo é perene para todos os tempos, por isso não aceita nenhuma inovação pois Deus é o mesmo ontem, hoje e sempre. Assim, no que se refere à fé cristã não há motivo para inovações.

Criado por São Francisco no século XIII, a ideia do presépio era a de se comemorar o nascimento de Jesus, mostrando através de uma encenação, o seu local de nascimento. Desde então virou tradição por toda a cristandade sendo aceita também pelos cristãos depois da reforma protestante de 1517.

O presépio nunca apresentou problema, variando em sua forma, criatividade, simplicidade ou ostentação dependendo do local, etc. Entretanto, esse é o primeiro presépio que vem causar polêmica e críticas pelo mundo todo da cristandade.

O próprio fato do presépio apresentar essas figuras denota uma certa revolta contra um dos pilares da igreja que é a tradição.

Uma coisa é certa; as coisas de Deus sempre primaram pela beleza, simplicidade, estética e bom senso, o que não ocorre no referido presépio. Mais parece uma afronta do que um convite à meditação e a paz. Por isso mesmo a justificativa do grande número de críticas não só pelo católico comum, como também por muitos religiosos.

A escolha mal pensada em vez de trazer aquele momento de paz interior e reflexão sobre o nascimento de Jesus, veio trazer divisão e dano por representar a quebra da tradição e querer representar os personagens de forma tão feia.

Em National Catholic Register a historiadora de arte Elizabeth Lev, de Roma, professora da Universidade de Duquesne, expressou que: "não viu ninguém dizer que se sente mais cristão porque o viu" e que "é tão divisor que não escuta muitas pessoas defende-lo".

"As pessoas olham para o Vaticano em particular pela tradição da beleza. Lá guardamos coisas belas porque, não importa o quanto horrível seja a vida, é possível entrar em São Pedro e isso é seu, isso é parte de quem você é e reflete quem você é e a gloria de quem você é. Não entendo porque damos as costas a isso. Parece fazer parte desse estranho e moderno ódio e rejeição às nossas tradições", afirmou.

O Vaticano informou que foi influenciado pelas antigas esculturas gregas, egípcias e sumérias, o que não é bom pois se trata de uma inspiração em civilizações pagãs.

As peças de cerâmica são modernistas incluindo os personagens do Natal mas com rostos de brinquedo junto com a presença de um judeu, um carrasco, um soldado e um astronauta. Uma salada de personagens muito distantes das idealizadas por São Francisco, idealizador do primeiro presépio.

A Virgem Maria é representada com cabelos loiros encaracolados num cenário minimalista, sem cavernas, paisagem, arvores, etc. que caracterizam os presépios tradicionais.

A já referida historiadora afirma ainda: "Digo-lhes que não vi ninguém dizer que se sente mais cristão porque viu (o presépio do Vaticano este ano)". "Vi pessoas rirem dele, pessoas laçarem a palavra demoníaco em toda parte, mas não está despertando uma fé inativa".

Num ano de pandemia que sem dúvidas foi o pior da história da humanidade em muitos séculos, o que se esperava no mínimo para o Natal, seria uma reflexão de paz, amor, beleza, esperança e fé em Deus, em Jesus e em tudo que acompanha a cristandade através dos séculos. Entretanto, o que os cristãos receberam foi essa expressão de ódio à tradição da igreja com figuras tão burlescas que em nada lembram a beleza do cristianismo. (Leonardo Bezerra)